Papa: purificar a fé da hipocrisia e do legalismo

Papa: purificar a fé da hipocrisia e do legalismo

Por: Pascom Matriz de Campinas Em: 02/09/2018 10:27

Cidade do Vaticano

O Papa Francisco inspirou sua alocução - que precede a oração do Angelus - no Evangelho de São Marcos proposto pela liturgia do dia, onde fala da hipocrisia. Eis a íntegra:

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

neste domingo, retomamos a leitura do Evangelho de Marcos. Na passagem de hoje (cf. Mc 7,1-8,14-15.21-23), Jesus aborda um tema importante para todos nós crentes: a autenticidade de nossa obediência à Palavra de Deus, contra toda contaminação mundana ou formalismo legalista. A narrativa começa com a objeção que os escribas e os fariseus dirigem a Jesus, acusando os seus discípulos de não seguirem os preceitos rituais segundo as tradições.

Deste modo, os interlocutores pretendiam atingir a confiabilidade e autoridade de Jesus como Mestre, porque diziam: “Mas este mestre deixa que os seus discípulos não cumpram as prescrições da tradição”.

Mas Jesus responde forte e responde dizendo: "Bem profetizou Isaías sobre vós, hipócritas, como está escrito:" Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. Em vão me prestam culto, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens”. Assim disse Jesus. Palavras claras e fortes! Hipócrita é, por assim dizer, um dos adjetivos mais fortes que Jesus usa no Evangelho e o pronuncia dirigindo-se aos mestres da religião: doutores da lei, escribas... “Hipócrita”, diz Jesus.

De fato, Jesus quer sacudir os escribas e os fariseus do erro em que eles caíram, e qual é este erro? O de desvirtuar a vontade de Deus negligenciando seus mandamentos para observar as tradições humanas. A reação de Jesus é severa porque é grande o que está em jogo: trata-se da verdade da relação entre o homem e Deus, da autenticidade da vida religiosa. O hipócrita não é autêntico.

Também hoje o Senhor nos convida a fugir do perigo de dar mais importância à forma que à substância. Ele nos chama a reconhecer, sempre de novo, aquele que é o verdadeiro centro da experiência da fé, isto é, o amor de Deus e o amor ao próximo, purificando-a da hipocrisia do legalismo e do ritualismo.

A mensagem do Evangelho hoje também é reforçada pela voz do apóstolo Tiago, que nos diz em síntese como deve ser a verdadeira religião e diz assim: a verdadeira é “visitar os órfãos e as viúvas no sofrimento e não se deixar contaminar por este mundo".

"Visitar órfãos e viúvas" significa praticar a caridade com o próximo, começando pelos mais necessitados, os mais frágeis, os mais marginalizados. São as pessoas de quem Deus cuida de forma especial e pede a nós para fazer o mesmo.

"Não deixar-se contaminar por este mundo" não significa isolar-se e fechar-se à realidade. Não! Também aqui não deve ser uma atitude externa, mas interior, de substância: significa vigilar para que o nosso modo de pensar e agir não seja poluído pela mentalidade mundana, isto é, pela vaidade, avareza, soberba. Na realidade, um homem, uma mulher, que vive na vaidade, na avareza, na soberba e ao mesmo tempo acredita e se mostra como religioso e até mesmo chega a condenar os outros é um hipócrita.

Façamos um exame de consciência para ver como acolhemos a Palavra de Deus. No domingo a escutamos na missa. Se a escutarmos de maneira distraída ou superficial, ela não nos servirá muito. Em vez disso, devemos acolher a Palavra com mente e coração abertos, como um terreno bom, para que seja assimilada e produza frutos na vida concreta. Jesus diz que a Palavra de Deus é como o trigo, é uma semente que deve crescer nas obras concretas. Assim a própria Palavra nos purifica o coração e as ações e a nossa relação com Deus e com os outros é libertada da hipocrisia.

Que o exemplo e a intercessão da Virgem Maria nos ajudem a honrar sempre o Senhor com o coração, testemunhando o nosso amor por ele nas escolhas concretas para o bem dos irmãos.

 

Texto e foto: Vatican News– Cidade do Vaticano