Missão Ad Gentes: como atender ao chamado missionário além-fronteiras

Missão Ad Gentes: como atender ao chamado missionário além-fronteiras

Por: Pascom Matriz de Campinas Em: 03/10/2018 12:49

Em sua mensagem para o Dia Mundial das Missões deste ano, o papa Francisco afirma ser este mês de outubro, o Mês Missionário, uma nova oportunidade para que os cristãos, em particular os jovens, tornem-se “discípulos missionários cada vez mais apaixonados por Jesus e pela sua missão, até os confins da terra”. E para atender ao chamado que surge dessa paixão por Jesus, é preciso preparação. O secretário executivo do Centro Cultural Missionário (CCM), padre Jaime Luiz Gusberti, aponta alguns cuidados e requisitos para assumir a missão além-fronteiras, que recebe o nome de Missão Ad Gentes.

“Quem é chamado à missão são todos os cristãos leigos e leigas que vivem sua fé, que já tem um engajamento na comunidade eclesial. E esta missão ad gentes não é avulsa, não para alguém que acorda de manhã e diz ‘eu vou para a missão’. Tem toda uma caminhada”, explica.

Padre Jaime Luiz Gusberti | Foto: CNBB/Matheus de Sousa

 

Atender ao chamado missionário requer que a pessoa esteja inserida na vida de sua comunidade, paroquia ou dioceses. Padre Jaime também chama atenção que a missão ad gentes é muito especifica no que diz respeito de quem envia e de quem acolhe: “Tem que haver uma combinação entre a diocese que envia e a diocese que acolhe”.

Alguns aspectos importantes são essenciais para a missão ad gentes. Eles dizem respeito à postura que o missionário deve ter em relação à missão e aos objetivos de servir e evangelizar em outro local. A pessoa deve ter um estilo de vida e ser um testemunho, segundo padre Jaime.

Confira alguns passos indicados por padre Jaime Gusberti a respeito da Missão Ad Gentes:

 

1.      Quem atende ao chamado missionário deve estar engajado na vida da comunidade e participar dos Conselhos Missionários (paroquial, diocesano, regionais, etc);

2.      O padre, as lideranças e o bispo diocesano devem conhecer a pessoa e seu desejo de sair em missão;

3.      A pessoa deve ter sensibilidade muito grande pelos problemas sociais, como a Igreja que faz a opção pelos pobres, que lembre que o papa Francisco nos desafia para uma Igreja em saída;

4.      É importante fazer as atividades deste Mês Missionário, como a novena missionária, e estar por dentro e aprofundar a respeito do Mês Missionário Extraordinário que acontecerá em 2019;

5.      Quanto ao envio à missão, deve ter profunda comunhão com a Igreja local e a Igreja que acolhe;

6.      O missionário deve ter um estilo de vida de fé, de amor, de uma paixão por Jesus, mas simultaneamente uma paixão pelo povo.

7.      O missionário deve saber escutar: que não vá para a missão com o objetivo de ensinar, ser um professor, mas, antes de tudo, ser alguém que escuta o povo;

8.      O missionário deve saber respeitar a cultura daquele povo que o acolhe;

9.      O missionário deve saber se inserir na vida daquela Igreja, no seu plano de Pastoral. “Não é ir com o pacote pronto do Brasil, tem que ter a sensibilidade de respeitar a caminhada da Igreja que acolhe”;

10.  O missionário deve ser capaz de inserir-se na caminhada daquele povo e inculturar-se;

11.  Para isso, é preciso aprender a língua daquele povo. “Não dá para ir em missão num outro país e querer falar Português, tem que falar a língua daquele povo, entrar na vida daquele povo, comunicar-se com a língua que eles se comunicam”;

12.  O missionário deve saber caminhar com o povo: amar aquele povo, conhecer a história, os passos do país, as alegrias e sofrimentos, guerras, esperanças, questão política, econômica, social, religiosa, missionária… “Tem que ler sobre o que é o país, não pode ir como aventureiro”.


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O curso para a missão Ad Gentes


O Centro Cultural Missionário oferece um curso de preparação para a missão Ad Gentes, em parceria com a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e a Comissão Episcopal Pastoral para Ação Missionária e a Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Padre Jaime explica que o curso é intensivo, com atividades de manhã, de tarde e de noite. Também destaca a experiência de vida comunitária proposta e primada pela casa de formação. “Se um missionário não é capaz de viver a vida comunitária, vem e se isola, vai ter inúmeras dificuldades de viver na missão, que é desafiadora e requer que se viva em comunidade”, alerta.

São dez módulos sobre diferentes dimensões da vida missionária com os objetivos de aprofundar as motivações pessoais, a própria compreensão da missão, a visão dos desafios missionários, os fundamentos bíblicos e teológicos; fornecer aos participantes referenciais essenciais teóricos e práticos para a ação missionária, recorrendo a vários tipos de mediações interdisciplinares; e proporcionar, através do estudo, da reflexão e do debate, momentos de discernimento participativo, de revigoramento espiritual e de atualização sobre os caminhos da Igreja missionária.

“O objetivo é oportunizar a quem vem um conhecimento geral do que seja a missão. O curso tem esse formato porque nós entendemos que ser missionário e missionária requer também ter um conteúdo essencial”, afirma o secretário executivo do CCM.

Padre Jaime ainda destaca que os formadores despertam o gosto sobre as dimensões estudadas para que os missionários continuem aprofundando os temas em sua vida. “Quem vem, vai receber elementos de como ele deve viver e entrar no jardim do outro, isto é, na casa do outro, na missão. São elementos que a gente oportuniza para que possa viver com mais serenidade, com mais tranquilidade a missão ad gentes”, sublinha.

O próximo curso Ad Gentes do CCM acontecerá de 10 de novembro a 6 de dezembro de 2019, no próximo ano, um bom tempo para se preparar até lá. Saiba mais.

 

Texto e foto: CNBB