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Quem fala em guia, supõe caminho. Em nossa novena perpétua cantamos assim: “De nós todos sede guia, no caminho para o céus”. Vamos aprofundar nossa reflexão para entendermos melhor o que estamos rezando e cantando. Do berço ao túmulo, nosso destino é caminhar.
 
Desde que entramos no tempo, e ele passa, e nós passamos com ele, Não é fatalismo, sina ou condenação: é simplesmente a condição humana de seres que, por terem tido um começo, também terão um fi m. E o espaço entre o berço e o túmulo chama-se vida, existência, caminhada. Desde que  houve o pecado, no paraíso, a criatura humana conheceu dois caminhos: o do bem e o do mal. “Vocês serão como deuses, conhecedores do  bem e do mal” (Gn 3,5). A partir desse momento, o homem e a mulher terão de fazer uso da sua liberdade, na escolha do caminho que querem seguir: o do mal ou do  bem.
O caminho do mal se caracteriza pelo mau uso da liberdade. Movidos pelas paixões – que são manifestações do orgulho e da revolta contra Deus – os homens escolhem comportamentos errados, caminhos errados: a apostasia de Deus, o ódio e desprezo pelos irmãos, a ganância insaciável pelos  bens e prazeres passageiros e perversos: tornam-se ímpios, violentos, gananciosos, mentirosos, desonestos, perversos. Estes caminhos levam à  perdição: “Os caminhos dos pecadores levam à perdição” (Sl 1,6),  e por fim, levam à morte: “O caminho da injustiça conduz à morte”. (Pr  12,28).

Pedimos a Maria que “ela seja nossa guia no caminho para os céus”. Qual o caminho para os céus? Como ele pode ser conhecido por nós,  peregrinos da eternidade? “A vida se encontra no caminho da justiça” (Pr 12,28). A justiça se manifesta no relacionamento reto e verdadeiro da  pessoa humana, com seus interlocutores: Deus, o próximo, a pessoa mesma e a natureza. Jesus se apresenta como “Caminho, Verdade e Vida”  (Jo 14,6) e provoca a nossa decisão: “Quem me segue, não andará nas trevas, mas possuirá a luz da vida” (Jo 8,12).

Jesus é o Filho Amado que vive  numa comunhão íntima de Amor com o Pai e com sua vontade. “Eu faço sempre a vontade de meu Pai” (Jo 6,38). Jesus é o irmão que vive em  comunhão com todas as pessoas: “Quem faz a vontade de Deus, esse é para mim meu irmão, minha irmã e minha mãe” (Mc 3,35). E insiste num  amor total e desinteressado entre as pessoas: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 13,34). Este mandamento de Jesus é novo -  e deve se tornar o distintivo para os que querem seguir a Jesus: “Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês  são meus discípulos” (13,35).

Jesus vive numa harmonia total com a natureza: “Olhai os pássaros do céu: eles não semeiam, não colhem, nem  ajuntam em armazéns: o Pai que está no céu os alimenta” (Mt 6,26). “Olhai os lírios do campo: não trabalham, nem fiam, e nem Salomao com toda sua riqueza se vestiu  como um deles (6,28).

Quando pedimos a Maria que seja nossa guia no caminho para os céus”, estamos pedindo que ela nos ajude a ser como ela: a serva do Senhor, que se faça em nós segundo a sua vontade, ou então, que façamos tudo o que Jesus nos mandar. Maria não é o caminho, mas é inspiração.  Ilumina nossa inteligência, fortalece nossa vontade na pratica do bem, e assim nos ajuda e socorre em nossa caminhada para Deus. Os exemplos  de fé, humildade, obediência deixados por Maria, nos animam a viver a nossa vida, como ela viveu. “Eu sou a serva do Senhor, faça-se em mim  segundo a sua Palavra” (Lc 1,38). De nós todos sede guia, no caminho para os céus.

Pe. ÂnGeLo LiCaTi, C.ss.r.
Missionário Redentorista
 

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