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“Mãe da Divina Graça” é uma referência direta ao grande Amor gratuito do Pai dando-nos o seu Filho, de graça, sem mérito e sem  cobrança. A graça, no seu sentido pleno e global, é a nova economia da Salvação, iniciada em Jesus Cristo, do qual Maria é a Mãe.
 
 Ao mesmo tempo em que significa a gratuidade de quem dá o dom, Graça é também a gratidão de quem recebeu o dom.

 
Na pequena ladainha de nossa Novena Perpétua, invocamos Maria, “Mãe da Divina Graça”. Vamos aprofundar um pouco, o sentido desta invocação. Um primeiro significado, com uma abrangência geral, a palavra “graça”, no Novo Testamento, quer indicar a nova economia da Salvação, iniciada   por Jesus e com Jesus. A primeira Aliança, a do Antigo Testamento, se baseava na Lei, e a Salvação era uma recompensa para os que observavam  a Lei.
 
A Nova Aliança se alicerça na Graça – e a Graça é o dom de Deus, que contém todos os dons, na doação de seu Filho Jesus. Jesus é o dom   de Deus que brotou da generosidade do Doador (o Pai), e envolve nesta generosidade, todos aqueles que o recebem. Deus dá gratuitamente o seu  Dom, e a criatura que o recebe fica inundada de graça e felicidade. A palavra “Graça” significa, ao mesmo tempo, a origem do Dom, e o efeito do  mesmo Dom, na pessoa que o recebe: fica cheia da graça. O próprio Deus se define como: “Javé, Deus de ternura e de graça, lento  para irar-se e rico em misericórdia e fidelidade” (Ex 34,6). A graça, em Deus, é ao mesmo tempo:
 
  • a misericórdia que se interessa pela miséria;
  • a fidelidade  generosa para com seus escolhidos, cumprindo suas promessas; uma comunhão profunda de coração e de afetos com aqueles aos quais ama;
  • justiça inesgotável, que garante a todas as criaturas a realização de todas suas aspirações.
A encarnação de Filho de Deus em Jesus Cristo  manifesta até onde pode chegar a generosidade do Pai: “De tal modo amou a este mundo que lhe deu o seu Filho Único, para que, todo aquele que nele acredita, não morra, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus enviou o seu filho ao mundo, não  para condenar o mundo, e sim para que o mundo seja salvo por meio dele” (Jo 3,16). A fonte deste gesto maravilhoso do Pai é “seu coração cheio   de ternura, de fidelidade e de misericórdia”, como se revelou na primeira Aliança (Ex 34,6).

Na pessoa de Jesus Cristo recebemos a “plenitude da graça e da verdade” (Jo 1,17). A graça, a bondade, a benevolência e a gratuidade de Deus, manifestadas em seu Filho, chegava até as pessoas e comunidades, em forma de dons e carismas. E, como a graça de Deus é multiforme, sua  manifestação se revela na abundância dos dons: Tudo é graça: tudo recebemos de graça, sem mérito algum da nossa parte.

A graça da qual Maria  é Mãe, “Mãe da Divina Graça” se refere ao grande Amor – gratuito do Pai dando-nos o seu Filho, de graça, sem mérito e sem cobrança. A graça, no  seu sentido pleno e global, é a nova economia da Salvação, iniciada em Jesus Cristo, do qual Maria é a Mãe.

“Graça” – ao mesmo tempo em que  significa a gratuidade de quem dá o dom, significa também a gratidão de quem recebeu o dom. O dom gratuito se transforma em “Ação de Graça”.  Agimos e existimos pela gratuidade do Pai, que nos escolheu e predestinou em Cristo, antes de criar o mundo para que sejamos santos e sem  defeito, diante dele, no amor. “Ele nos escolheu e predestinou para que sejamos seus filhos adotivos, por meio de Jesus Cristo” (Ef 1,4-5).

Nós,  portanto, somos o reflexo humano da bondade e do Amor de Deus: somos o reflexo humano da bondade e do Amor eterno de Deus, manifestados em nós por meio do seu Filho “cheio da Graça, e da verdade” (Jo 1,17).

Maria foi chamada pelo Anjo de “cheia da Graça” (Lc 1,28), pois bem: esta  graça de que está inundada Maria, manifesta a grandeza do Amor gratuito de Deus, e manifesta também a grandeza de Maria, escolhida para ser a  Mãe da Graça de Deus, doada a toda a humanidade, por meio de seu Filho Jesus.

Mãe da Divina Graça, rogai por nós!

 
PE. ÂNGELO LICAtI, C.Ss.R.
Missionário Redentorista


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