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Estamos meditando, os títulos e invocações com que nos referimos a Nossa Senhora em nossas novenas perpétuas. Cada uma dessas  invocações tem um significado próprio. Por isso, nossa intenção é aprofundar o sentido de cada uma, para que nossa oração seja mais consciente. Hoje, vamos deter-nos sobre a invocação “Maria, Mãe do Cristo Libertador".

A libertação realizada por Jesus é o fruto de um acontecimento histórico: sua morte a Ressurreição, e de nossa comunhão com Ele em nosso batismo.

São Lucas põe nos lábios de Jesus as palavras do Profeta Isaías. “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me consagrou com a unção, para   anunciar a Boa Nova aos pobres; aos presos, a libertação... para libertar os oprimidos” (Lc 4,18).

Quando se fala em libertação, sempre se supõe uma  situação de escravidão. A escravidão é anterior à ação libertadora. Assim, afi rmamos que Javé: “libertou seu povo da escravidão do Egito”. “Eu vi muito bem a miséria do meu povo que está no Egito. Ouvi o clamor contra seus opressores, e conheço os seus sofrimentos. Por isso, desci para libertá-lo do poder dos egípcios” (Ex 3,7-8). As intervenções constantes de Javé, em favor de seu povo tinham sempre o cunho de uma ação libertadora. Firmado no poder libertador de Javé, o povo, em suas múltiplas escravidões, suspirava por um  libertador e por uma libertação defi nitiva.

Mas a sua esperança de libertação não ia além da liberdade das escravidões políticas. Não estava ainda revelada a plena e total libertação que o Cristo iria realizar para toda a humanidade. As libertações realizadas por Javé na primeira Aliança eram apenas fi guras da libertação cristã.

Foi Jesus que trouxe a verdadeira liberdade para todos: “Foi para sermos livres que Cristo nos libertou” (Gl 5,1ss). A libertação realizada por Jesus é o fruto de um acontecimento histórico: a morte e a Ressurreição de Jesus, e de nossa comunhão com Cristo, em nosso batismo. A libertação que Jesus  realizou se estende a três situações de escravidão: libertação do pecado, libertação da morte, e libertação da lei.

A ação de Cristo Libertador nos liberta do pecado. O pecado, com todas as suas nefastas manifestações, é o grande carrasco da humanidade. “Em Adão, todos pecaram” – afirma São Paulo. Mas Cristo, pela sua morte e ressurreição, nos libertou. “Deus Pai nos arrancou do poder das trevas, e nos  transferiu para o reino de seu Filho Amado, no qual temos a redenção e a remissão dos pecados” (Cl 1,13- 14). Esta é a plena libertação, da qual todas  as libertações realizadas no Antigo Testamento, eram figuras.  Cristo Libertador nos livra da morte eterna. Libertando-nos do pecado, nos  garante, pela sua Ressurreição, que um dia ressuscitaremos gloriosos com Ele. É por Cristo Libertador que passamos da morte para a vida, pela vivência da fé e do amor.

Cristo Libertador nos liberta do jugo da Lei. O cumprimento da Lei Mosaica, mesmo que realizado de forma exterior e sem amor, era uma suposta   garantia da Salvação. Jesus relativiza o cumprimento desta lei, e nos propõe uma nova lei, que é a do “Espírito que dá a vida” (Rm 8,2). E, onde está o Espírito do Senhor, aí está a Liberdade (2Cor 3,17). Estes são os sentidos de nossa invocação “Mãe do Cristo Libertador”. Por Maria, recebemos o dom  de Deus, seu Filho divino, tornado humano pela mediação de Maria. Que ela rogue por nós a seu Filho Libertador, que sempre nos livre do   pecado, da morte eterna e do jugo das leis que nos oprimem e escandalizam.

Mãe do Cristo Libertador, rogai por nós!
 

Pe. Ângelo Licati, C.ss.r.
Missionário Redentorista

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