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No mês de agosto somos chamados a refletir sobre as vocações, em especial a exercida pelos leigos e leigas em nossas comunidades e paróquias

A partir do batismo, podemos compreender a missão dos leigos na Igreja e na sociedade. É pelo batismo que cada cristão recebe a vocação de viver intensamente a serviço do Reino de Deus. Após o Concílio Vaticano II, a vocação e a missão dos leigos foram mais valorizadas, e atualmente o papa Francisco tem insistido para que o laicato participe ativamente na construção de uma nova sociedade.

/Josy Keila Cotrim é catequista na Matriz de Campinas desde 2002. Ela compreende que a missão vai muito além da preparação dos jovens para um Sacramento, mas inclui o compromisso de despertar e cultivar entre eles uma interação entre a fé, vida, comunidade e Igreja. “Significa um compromisso com o trabalho de construção do Reino de Deus. Um chamado que me fez e faz a cada dia sair da minha zona de conforto e ir ao encontro do outro, fazendo-o se encantar por Jesus Cristo e sua proposta de vida plena. Significa viver o Evangelho e mostrar aos jovens que é possível ser diferente sendo do jeito que somos, curtindo nossas músicas, roupas, filmes, livros e festas, se, em cada ação nossa, mostrarmos que somos de Deus”, ressalta a catequista.

Nas paróquias, os leigos são chamados a desempenhar diversos papéis: catequistas, ministros da eucaristia, agentes das diversas pastorais. O bispo referencial para o Laicato da CNBB, Dom Severino Clasen, simples colaboradores, mas membros ativos de uma comunidade. “Nós precisamos repensar  nosso modelo de Igreja.

Nossa Igreja ainda é muito clerical. Funciona se o padre e o bispo falarem. E também dá a impressão que Igreja é somente o padre e o bispo, isso está errado. O leigo acaba sendo um mero cumpridor de serviços. Pela graça do batismo todos nós temos a mesma identidade, a mesma dignidade. Os leigos precisam ser valorizados para que assim, de fato, possam fazer com que a Igreja seja mais unida”, aponta o bispo.

A Igreja compreende que a missão dos leigos não pode ser desenvolvida apenas nas comunidades, mas também na família, no trabalho, na escola, na política, nos movimentos populares, nos meios de comunicação. Em todos os meios, os leigos são chamados a testemunhar a mensagem deixada por Jesus Cristo. A catequista Josy enxerga essa missão como um elo entre a Igreja e o mundo. “Nós leigos somos colaboradores ativos da comunidade, realizando a missão de batizados e missionários dentro das realidades que encontramos no dia a dia, levando a Igreja a ser presente nos diversos ambientes sociais, semeando a Palavra de Deus nos variados campos de vida. Não significa ficar o dia todo dentro da igreja, e sim levar a Igreja a toda sociedade conforme Jesus a instituiu e a organizou e não segundo a concepção e a vontade dos homens. Como diz São Paulo: ‘Ai de mim se eu não evangelizar’ (1 Cor 9,16).”

“A Igreja se tornará mais eficaz e eficiente quando os leigos assumirem o seu papel e, junto com a hierarquia, padres e bispos, darem um rosto mais alegre, mais arejado, transformador, na conversão contínua e, assim, transformar a Igreja no modelo em que o papa Francisco tanto pede, uma Igreja em saída, uma Igreja que não tem medo, pois está na luta, está no trabalho, levando o Evangelho, acolhendo os que mais necessitam. É essa a Igreja que Jesus Cristo implantou. E para que isso aconteça, os leigos possuem um papel decisivo”, destaca Dom Severino.
 

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